A associação atua no suporte a pacientes que fazem tratamento terapêutico com a cannabis e busca arrecadar R$50 mil para melhorias na estrutura física da sede.
A Reconstruir Cannabis, associação dedicada ao suporte de pacientes que utilizam a terapia canábica, com sede no Rio Grande do Norte, lançou a campanha de financiamento coletivo “Plantando o Futuro com a Reconstruir”. A iniciativa visa arrecadar R$50 mil para reformar a sede e expandir suas atividades, garantindo um atendimento mais acessível e acolhedor para pacientes e familiares.
Atuando há nove anos, a Reconstruir já beneficiou centenas de famílias que podem se beneficiar com a terapia canábica, como é o caso de condições como Alzheimer, fibromialgia, câncer, Parkinson, depressão e outras enfermidades. A associação oferece todo o suporte necessário para o uso terapêutico da planta, como encaminhamento para profissionais prescritores, suporte jurídico para Habeas Corpus de Cultivo, além de oferecer o acesso a produtos fitoterápicos derivados da cannabis a valores justos.
Com produção inteiramente realizada no estado — do cultivo à extração do óleo —, a Reconstruir garante que o valor de mercado dos produtos reflita apenas os custos operacionais. Não há lucro nas vendas: o óleo é disponibilizado exclusivamente pelo preço de sua produção. Maryelle Campos, engenheira agrônoma da associação, destaca que a produção local é fundamental para garantir segurança e outros benefícios: “Quando a gente cultiva e processa aqui, controlamos todo o processo, evitando contaminantes e garantindo a dose certa. Além disso, movimenta a economia local, gerando emprego, pesquisa e inovação”.
Mesmo com tantos pontos benéficos e com a aprovação da legislação brasileira para o uso medicinal e científico da cannabis, o preconceito e a falta de uma regulamentação específica dificulta os trabalhos que as associações vêm fazendo para tornar a terapia canábica mais acessível a quem precisa, assim explica Carla Coutinho, advogada especialista em direito canábico e diretora da Reconstruir. Segundo ela, o apoio coletivo é a “força motriz para a Reconstruir continuar a busca por uma regulamentação da Anvisa e da União que contemple e respeite as particularidades das associações”. Para Leonardo Sinedino, pedagogo e membro da Reconstruir Cannabis, esse financiamento coletivo possibilita que a sociedade potiguar participe de forma ativa no processo de expansão à democratização ao acesso à terapia canábica: “ela [a sociedade] desempenha um papel não só de observadora, mas também contribui ao fomentar o debate, superar estigmas e estereótipos e construir novos paradigmas e compreensões”.
Pesquisa e inovação
A atuação da associação vai além da produção dos óleos. A Reconstruir também estimula a pesquisa sobre os múltiplos usos da cannabis, como demonstrado no desenvolvimento do hempcrete — um tijolo ecológico feito a partir de resíduos das plantas cultivadas pela associação.O projeto foi realizado em parceria com o Departamento de Engenharia Têxtil da UFRN, sob coordenação da professora Viviane Muniz. Além das colaborações com instituições de referência, como a Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN) e o Instituto do Cérebro, a Reconstruir promove iniciativas que fortalecem o debate e a ciência em torno da cannabis, como é o caso do Festival Delta9, considerado o maior evento canábico do Nordeste.
Financiamento coletivo
A campanha de financiamento coletivo já está no ar e oferece recompensas exclusivas aos apoiadores, incentivando a participação da comunidade. Com os recursos arrecadados, a Reconstruir pretende transformar sua sede em um espaço mais adequado para acolher os pacientes e desenvolver as atividades da associação. Além das melhorias estruturais, a ampliação da sede permitirá o fortalecimento do atendimento às famílias, garantindo um suporte ainda mais especializado e humanizado.
Como apoiar
A campanha conta com diferentes categorias de apoio, incluindo brindes exclusivos para os doadores. Qualquer pessoa pode contribuir. Para apoiar a causa, basta acessar a plataforma da campanha.